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Trabalho e deficiência

Segundo pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 10% da população mundial têm algum tipo de deficiência. O último censo realizado no Brasil (IBGE-2000) revelou que no país existem 24,6 milhões de pessoas portadoras de deficiência (PPDs), o que corresponde a 14,5% da população. De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Ethos, 9 milhões apresentam deficiência e estão em idade de trabalhar, mas apenas 200 mil (2,2%) são empregados com registro em carteira. Em 1989, a Lei Federal 7.853 delimitou os tipos de deficiência e dispôs políticas para a inclusão. A Lei 8.213/91 (das cotas), que completou 16 anos ontem, é uma dessas políticas e visa garantir uma reserva de vagas para portadores de deficiência em empresas privadas: organizações com mais de 100 funcionários passaram a ter uma porcentagem de 2% a 5% destinada a eles. As maiores dificuldades para empregar essas pessoas estão em encontrar no mercado de trabalho profissionais que tenham os conhecimentos técnicos, as condições emocionais e as habilidades físicas necessárias para o desenvolvimento que as empresas exigem. De acordo com dados do IBGE, somente 10% da população de deficientes físicos tem mais de 11 anos de estudo. Assim, o baixo nível de qualificação, a dificuldade dos funcionários em se relacionarem com os colegas nessa condição, o protecionismo familiar, as dificuldades para ingressar em um processo educacional inclusivo e o obstáculo da      acessibilidade nas empresas e fora dela geram dificuldades para que os portadores de deficiências sejam competitivos no mercado de trabalho. Há também o fato de que a dispensa de uma PPD só pode ocorrer depois da contratação de substituto de condição semelhante, já que a empresa que entra no sistema de cotas não pode mais sair, mesmo se mudar sua atividade principal e demandar um quadro de pessoal com qualificação diferente.
Nos sete primeiros meses deste ano, o grupo Selpe percebeu uma maior expressividade na solicitação de contratações de PPDs. Se em 2006 esse número não superava o valor de 1,5% de todas as contratações realizadas, no primeiro semestre o percentual já atinge a média de 2% das vagas. A maior parte das contratações ocorre para os setores de atendimento via telefone, pessoal e administrativos. Certamente, esse acréscimo se deve a maior fiscalização do Ministério do Trabalho, que tem cobrado, de forma mais presente, das empresas que não atingem a cota estabelecida. Nos processos seletivos, geralmente são buscados profissionais com determinada habilidade motora e um bom nível de qualificação profissional. As principais exigências técnicas giram em torno da escolaridade, geralmente exigindo o ensino médio completo, conhecimentos em informática, principalmente digitação e facilidade em se relacionar/comunicar com o público. Frente a essas exigências, o perfil mais procurado pelas empresas continua sendo as    chamadas deficiências leves (monoparesias, encurtamento da perna, pequena atrofia nos membros superiores, nanismo etc.). A falta de preparação das empresas em lidar com as diferenças ou em elaborar treinamentos de capacitação e/ou inclusão leva à busca desses profissionais, que exigem das organizações menores mudanças em suas estruturas físicas ou sociais. Ainda há muita dificuldade na inclusão de deficientes auditivos, mentais ou cadeirantes, esses últimos principalmente pela falta de modificações que permitam a acessibilidade. A inclusão de pessoas portadoras de deficiência no mercado de trabalho é um desafio a ser superado pela sociedade civil em geral. As organizações passaram a buscar, por meio de treinamentos específicos, estimular e promover a qualificação desses profissionais para que, com a aquisição de conhecimentos, possam obter um maior rendimento no trabalho. O valor principal da lei de cotas, sem dúvida, é a abertura de postos de trabalho para as PPDs. Mas, além desse, a lei tem outro atributo, o de reintroduzír a PPD na sociedade, de propiciar o seu aperfeiçoamento sociocultural. Essa exigência força os empresários a buscarem, entre o universo das PPDs, as de melhor potencial para o cargo oferecido. Isso significa, em última análise, incentivar a PPD a melhorar o seu potencial, a aprimorar suas qualidades; enfim, superar as barreiras que a sociedade lhe impõe.  

Fonte: O Estado de Minas

Notícia enviada por Simone Ferreira Rabuske em 12/11/07, 23:11h.

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